quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Des'sinto no meio do deserto

Apercebo-me muitas vezes de tão oca sou.
Sou estranha, vazia como um enorme poço no deserto.
Dou por mim a pensar no que quererei eu da vida e a resposta é tão idiota que me mete medo. Não sei.
Como é possível eu não ter algum objectivo a longo prazo? É que muitas vezes nem a curto prazo tenho.
Limito me a viver pela tolerância da vida, acordo vou para a escola converso sobre a monotonia da minha existência, volto para casa, sento-me em frente ao computador sem sequer mexer lhe...A pensar sem pensamento, querendo saber o que quero eu de mim própria.

Sinto-me...Ou não me sinto, o vazio não se sente, des'sinto-me melhor dizendo...
Des'sinto que não faço nada deste mundo além de ir vivendo, seguindo a minha vida pé ante pé.
Des'sinto que algo faça sentido na minha vida neste momento.
Sinto que cada vez mais estrago a vida de todos à minha volta e este vazio de des'sentir.


Des'sinto e temo nunca mais sentir, porque o vazio que vem em mim tomou meu corpo e já não sou quem alguma vez (talvez) fui. Perdi a minha identidade, sou como um camaleão porque consoante as pessoas eu me modelo a elas. Sou apenas mais um poço nesse imenso deserto que é a minha forma de vida. Por vezes mato a sede a quem passa com algumas gotas que correm no fundo da minha existência, outras vezes apenas faço parte da paisagem, apenas um poço abandonado, sem sentido de lá estar. Um poço seco no meio do deserto.

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