Branco era o seu vestido.
E estava descalça, porque não precisava de sapatos para onde ia.
Sem pensar duas vezes ela caminhou num rumo certo e a ritmo incerto.
O seu coração batia forte, tremia um pouco, as pessoas olhavam para ela de lado...
Normal seria se não olhassem...
Seus olhos estavam inchados, notava-se que tinha chorado um tempo antes... estava pálida.
Ninguém tinha coragem de se aproximar dela, de perguntar como ela estava.
Foi assim também que ele a viu,
Mas não reparou quem era quando passou a seu lado.
Não o culpo, não a via à algum tempo, ela estava muito mudada.
Ele, perfeito demais para passar por pessoas assim,
Passou para o outro lado da estrada,
Nesse instante ela olhou para ele e sorriu-lhe de maneira familiar...
Pedrificou por completo, ele não conseguia acreditar.
Era ela, como podia ser ela ali?
Estancou, sem se conseguir mexer por uns instantes e deixou-a caminhar à sua frente... Seguiu-a.
Ela, de cor pálida, vestido branco e longos cabelos pretos,
Colheu uma rosa branca de um jardim d'um prédio...
Estava sem cheiro, meio murcha, mas delicadamente levou-a consigo.
Ele seguia-a...
O seu caminhar era leve, parecia um anjo...
Um anjo com uma rosa branca...
Ela parou junto de um rio.
Sentou-se naquele sitio que lhes era tão familiar...
Baixou a cabeça, mas não tinha mais lágrimas para chorar.
A brisa soprou mais forte,
Ela suspirou profundamente...
E num acto de raiva, como ninguém antes vira...
Gemeu de dor e apertou a rosa contra a sua mão...
O sangue correu-lhe pelo braço.
Ele ao ver tal situação correu até ela.
PÁRA! Porque te fazes isso uma, outra e outra vez?
Ela olhou-o nos olhos.
Olhou para si própria, viu o estado em que se encontrava, sentiu-se envergonhada.
Ela não esperava encontra-lo ali, não estava bem arranjada para estar em frente de ser tão perfeito.
Virou-lhe a cara porque as lágrimas voltaram a cair.
Fintou o mar e suspirou de novo...
Faço isto e farei muitas mais vezes, até que percebas porque não me queres entender.
Esta sou eu, a que aprendeu a viver sem ti.
Esta sou eu, a que destruiu sonhos por realidades.
Esta sou eu, quando o meu pensamento toca em ti.
Esta sou eu, foste tu quem me fizeste assim.
Ela vestia-se de branco...
Ela estava descalça...
Ela chorava... Porquê?
Ela pretendia chegar ao nível de perfeição daquele rapaz,
Ou então queria apenas que toda a sua memória se apagasse...
O que vivi fez quem sou!
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