quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Saudade

Falaram-me de Saudade como se nunca a tivesse conhecido.
Mostraram-me como é rude viver com saudade, como é sufocante, como é penoso.
De tanta façanha contada, dei por mim a rir de tanto chorar.

Sentes saudade?
Então põe te em meu lugar e pensa tu, oh desconhecido, como é ter saudade do que te é esquecido.
Esqueci a sua voz, chorei por a ter esquecido.
Esqueci o seu cheiro, chorei por a ter esquecido.
Esqueci o seu sorriso, chorei por o ter esquecido.
Esqueci os seus tiques, chorei por os ter esquecido,
Esqueci quem ele era, chorei por o ter esquecido.
Esqueci a dor da saudade e continuei a chorar por ter esquecido.

De tanto chorar ri, vendo tal aventura a minha por estes meus pensamentos.
Sei bem o que é saudade, sei bem o que é senti-la, sei bem o que é vive-la, mas também sei bem que não sou a única a passar por ela e deixa-la para trás, recordando-a uma ou outra vez.

Falaste da saudade como se não a conhece-se, mas conheço a tão bem que anda comigo lado a lado, tentando apoderar-se da minha pequena vida e fazendo me superar pedaços do inesperado do meu dia a dia.

Saudade existe para relembrar o que jamais pode ser esquecido, mas quando esquecemos porque não podemos sentir saudade?

domingo, 26 de dezembro de 2010

Meu Amor...

Gostava de poder sentir a cor do cheiro do teu amor.

Zé e Ná.


Adoro sentir-me re-apaixonada por ti @

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

25 de Dezembro

Aqui estamos nós...
Mais um natal, luzes nas árvores, cabrito no forno, doces espalhados pelos recantos da casa onde mais convêm e o bacalhau a cozer acompanhado das famosas batatas.
As prendas cada vez são menos mas à ultima da hora sempre vai aparecendo mais uma ou duas para fazerem companhia às outras.
Mas, cada vez mais me custa passar o natal, parece que ainda no outro dia desejei feliz ano novo a quem me era mais querido e já passou um ano... Hoje, dia 24, está toda a gente ocupada nas suas coisas, incluindo eu para fazer com que tudo pareça perfeito, mas cá dentro continua aquela dor aguda. Uma dor que me faz apetecer chorar...Acredites ou não, só me apetece chorar e nem sei bem porquê.

Fazes-me falta.
Fazes me falta e só tu sabes a falta que me fazes.
Onde estás tu? Porque me abandonaste? Quero te aqui comigo neste dia tão especial e tu não cá estás, logo tu que tudo fazias de uma maneira tão fantástica, tão feliz....
Fazes-me falta.
Fazes-me falta a passear pelas ruas vazias por onde agora passo.
Fazes-me falta a dizer aquelas piada engraçadas.
Fazes-me falta a dizer-me o que está certo.
Fazes-me falta a mim e a toda a gente desta casa, só tu fazias com que o Natal tivesse a magia devida.
Amo-te meu querido avô, mais um natal sem ti, custa, custa tanto....

Bem...vou passando a noite com a família, vou mostrando o sorriso que todos se habituaram a ver...
Feliz Natal, seja o que for que a palavra feliz queira dizer....

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Voltaste.

Voltaste.
Sem que te pedisse, voltaste.
Sem que te implorasse, voltaste.
Sem que gritasse por ti, tu voltaste.

...Porque te arrependeste das decisões que tomaste.
Mas quando voltaste, eu já tinha partido.

Aí choraste.
Choraste pelos sonhos que tinhamos em comum, tal como eu chorei.
Choraste pelos caminhos diferentes que me fizeste tomar, tal como eu chorei.
Choraste pela falta de tudo o que ja tinhas antes esquecido, tal como eu chorei.

Choraste.
Pelos beijos,
Pelos abraços,
Pelas brincadeiras,
Pela ausência do nosso sorriso, choraste.

Pediste para regressar.
Imploraste para voltar.
Gritaste ás estrelas por mim...

" Oh vida como és injusta!"

Eu não voltei...

Porque não quero re-viver o passado.
Porque não quero sofrer mais uma vez.
Porque não quero chorar de novo.

Não quero! Não quero! Não quero!
Por isso não voltes mais.
Não voltes nunca mais!
Bastou já as vezes que voltaste e partiste logo de seguida.

Deixa o meu sorriso em paz,
Deixa o meu coração calmo,
Deixa a minha alma descansada.
Bastou!

Já que te foste, não voltes por favor.
Deixa-me viver em paz e não chores por mim nunca mais.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Ela.

Há uns tempos atrás enquanto vagueava entre os meus pensamentos conheci uma rapariga de longos cabelos negros, cabelos esses que eram encaracolados, no seu rosto mostrava um sorriso que iluminava o mundo, mas os seus olhos eram sombrios. Olhos esses que escondiam verdades omitidas, sonhos desfeitos, pesadelos no seu auge de desilusão.

Essa rapariga aparentava ser feliz, mas escondia algo, aquele tipo de coisas que até temos medo de saber o que é. Tentei ganhar alguma confiança com ela, para poder falar-lhe disso, conseguir que ela desabafasse comigo mas sempre que começávamos a falar ela sorria para mim fazendo com que o sorriso dela me iludisse e em breves instantes esquecia-me do que queria falar com ela, estando tão absorvida nas suas expressões carinhosas.

Ela tinha uma maneira estranha de se acalmar, quando estava mais enervada ia tomar banho, ouvia a sua música maluca e quando saia de lá estava calma, com aquele sorriso deslumbrante e aquele olhar sereno, mas mesmo assim sombrio...

Quando percebi o que se passava já era tarde de mais para a poder ajudar, certamente nunca a poderia ter ajudado mesmo, e quem o podia fazer nunca o fez, estava cada um envolvido na sua própria vida para poder reparar no mal que ela fazia à sua vida.

Um dia, não me lembro bem quando nem onde, senti muito frio, percebi que ela estava deitada no chão e a sua volta uma data de pessoas corriam com estetoscópio e compressas, queriam aquece-la e perceber o que se passava. Ao longe ouvia-se gente gritar e chorar.

O que posso eu fazer agora? Está frio e nem me consigo mexer, que se passará, não me lembro de nada. - Pensei eu, mas percebi logo de seguida que era tarde demais.

Morreu, por sofrer tanto e as pessoas certas não perceberem os sinais que ela tanto tentava mostrar.
Morreu, por já não aguentar o sofrimento a que ela propria era sujeita dentro dela, nos seus pensamentos.
Morreu, porque ninguém soube ajuda-la, todos se absorveram entre o seu sorriso enquanto os olhos dela gritavam por socorro.
Morreu, e eu não pude fazer nada.


-Morreu mesmo?
-Parte dela morreu.
-Que parte?
- A parte que sonhava que um dia voltaria a ser feliz.
-Porque morreu essa parte?
- Porque ela deixou de ter esperança, deixou de sorrir e entregou-se a formas ilógicas para manter o sofrimento longe dela.
-Ahh, acho que percebi...E quem és tu?
-Eu? Sou quem a podia  ter ajudado, sou a consciência dela...