Há uns tempos atrás enquanto vagueava entre os meus pensamentos conheci uma rapariga de longos cabelos negros, cabelos esses que eram encaracolados, no seu rosto mostrava um sorriso que iluminava o mundo, mas os seus olhos eram sombrios. Olhos esses que escondiam verdades omitidas, sonhos desfeitos, pesadelos no seu auge de desilusão.
Essa rapariga aparentava ser feliz, mas escondia algo, aquele tipo de coisas que até temos medo de saber o que é. Tentei ganhar alguma confiança com ela, para poder falar-lhe disso, conseguir que ela desabafasse comigo mas sempre que começávamos a falar ela sorria para mim fazendo com que o sorriso dela me iludisse e em breves instantes esquecia-me do que queria falar com ela, estando tão absorvida nas suas expressões carinhosas.
Ela tinha uma maneira estranha de se acalmar, quando estava mais enervada ia tomar banho, ouvia a sua música maluca e quando saia de lá estava calma, com aquele sorriso deslumbrante e aquele olhar sereno, mas mesmo assim sombrio...
Quando percebi o que se passava já era tarde de mais para a poder ajudar, certamente nunca a poderia ter ajudado mesmo, e quem o podia fazer nunca o fez, estava cada um envolvido na sua própria vida para poder reparar no mal que ela fazia à sua vida.
Um dia, não me lembro bem quando nem onde, senti muito frio, percebi que ela estava deitada no chão e a sua volta uma data de pessoas corriam com estetoscópio e compressas, queriam aquece-la e perceber o que se passava. Ao longe ouvia-se gente gritar e chorar.
O que posso eu fazer agora? Está frio e nem me consigo mexer, que se passará, não me lembro de nada. - Pensei eu, mas percebi logo de seguida que era tarde demais.
Morreu, por sofrer tanto e as pessoas certas não perceberem os sinais que ela tanto tentava mostrar.
Morreu, por já não aguentar o sofrimento a que ela propria era sujeita dentro dela, nos seus pensamentos.
Morreu, porque ninguém soube ajuda-la, todos se absorveram entre o seu sorriso enquanto os olhos dela gritavam por socorro.
Morreu, e eu não pude fazer nada.
-Morreu mesmo?
-Parte dela morreu.
-Que parte?
- A parte que sonhava que um dia voltaria a ser feliz.
-Porque morreu essa parte?
- Porque ela deixou de ter esperança, deixou de sorrir e entregou-se a formas ilógicas para manter o sofrimento longe dela.
-Ahh, acho que percebi...E quem és tu?
-Eu? Sou quem a podia ter ajudado, sou a consciência dela...
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